Em queda “livre”

Fanático por aviação, ontem assisti o comentado documentário Downfall (ou Queda Livre, na tradução que escolheram para o português) da Netflix que deveria comentar sobre a situação da fabricante Boeing em relação as falhas técnicas apresentadas no modelo 737 Max e que supostamente causaram a queda de duas aeronaves novas em um espaço de poucos meses.

Isso e um fato. Isso realmente aconteceu e foi extremamente lamentável. Eu comentei com amigos próximos na época do lançamento que eu achava esse projeto um erro. De início! Sem saber absolutamente dos pequenos detalhes que foram causar o acidente logo depois. Uma aeronave que sai de fábrica desbalanceada (a posição dos motores muito a frente para compensar a falta de altura da aeronave em relação ao chão) não pode dar certo. E mesma coisa que uma fabricante de automóveis te vender um carro com um eixo torto mas com um sistema interno com que faz com que o volante esteja sempre virado um pouco para o lado para compensar essa “falha” estrutural.

De qualquer forma, o documentário não passa de uma peca de 90 minutos de propaganda liberal ou propaganda CONTRA a Boeing. De novo: o fato ocorreu mas, e importante lembrar:

1. Milhares de vôos ocorreram com o modelo sem nenhum incidente;

2. Mesmo com a Boeing passando por cima de uma convenção aeronáutica para acelerar a entrega do avião, os pilotos dos dois aviões acidentados não obedeceram os protocolos que eles foram ensinados a usar, ou seja, falha do piloto foi contribuinte nos dois casos (não citado no documentário);

3. A Lion Air bem como toda a aviação da Indonesia tinha tanto problema, mas tanto problema, que eles simplesmente foram PROIBIDOS de voar na Europa por anos. Ou seja, era uma companhia tão perigosa e tão desrespeitosa em tudo o que visa a segurança em aviação que um continente inteiro proibiu os vôos deles;

4. Mais uma vez, a Boeing tem culpa no que aconteceu, sim, mas acusar eles de não se preocuparem com a segurança da aviação ou de um modelo especifico e de uma estupidez generalizada. Só pode ser fruto de alguém que não conhece absolutamente nada sobre aviação;

5. Qualquer companhia grande em qualquer lugar do mundo sofre pressão por resultado. TODA! Inventar que eles são uma companhia gananciosa e ma nessas alturas do campeonato e um argumento infantil e imaturo

6. O documentário mostra uma serie de ex-funcionários da companhia. Algum histórico de cada um deles? Foram demitidos? Saíram porque quiseram? Justa causa? Para mim pareceu um bando de funcionários rancorosos ou no mínimos saudosistas de uma outra época onde tudo era mais simples ou menos competivo. Isso acontece em qualquer empresa!

7. Culpar a fusão entre a Boeing e a McDonnell Douglas para que a Boeing perdesse a sua identidade e outra falácia gigantesca de quem não entende nada de aviação ou não sabe nada sobre essa fusão. Me soa simples e rasteiramente como socialistas reclamando ou culpando uma junção entre duas empresas capitalistas que se fundiram para poder ser mais gananciosas juntas;

8. Um dos personagens base da história e um deputado democrata com visível cunho socialista;

9. O documentário parece defender a Airbus, a concorrente da Boeing que tem um forte cunho estatal e que é bancada por diversos países, inclusive países com movimentos socialistas fortes. Outra: a Airbus vem recebendo um bom aporte de capital da China. Não cita em nenhum momento que a Airbus também já sofreu de episódios relacionados a segurança;

10. A peca de propaganda não cita que a segurança da aviação que temos hoje e fruto de um constante aprimoramento técnico e de processos. Cada acidente que aconteceu serviu para que as empresas desenvolvessem métodos e tecnologias para que eles possam ser evitamos. Parece incrível ter que explicar que a chance de um passageiro morrer a caminho do aeroporto (acidente com o veiculo ou ate mesmo assassinado) e muitas vezes maior do que a bordo da aeronave. Tudo isso fruto desse constante aprimoramento técnico

Conclusão, que eh dada pelo próprio deputado democrata com praticamente essas palavras no final do documentário: Esse acidente foi culpa da ganancia da Boeing. Ponto final.

Agora por favor tire a sua.

Pela última vez: lamentável tudo o que aconteceu, mas esse documentário, no meu ponto de vista, fez um desserviço para a aviação, ao capitalismo, a Boeing, aos EUA e principalmente, aos passageiros e a verdade.

Post digitado no Exterior em computador sem teclado ou sem sistema em portugues. Peco desculpas por possiveis erros de digitacao.

No Brasil, sabedoria é confundida com esperteza, e gentileza com cinismo

por Natalia Sulman

Na “Teoria do Medalhão”, Machado de Assis ironize a ânsia brasileira de parecer, em vez de ser. O brasileiro deseja ser aclamado por todos, ter emprego estável, família respeitável e boa reputação, puxar o saco dos superiores, só para que portas se abram e ele pareça um grande homem.

Aqui a estabilidade profissional é idolatrada. O ápice da moralidade brasileira é ter um emprego seguro e lucrativo. Temos até a nossa versão de teologia da prosperidade. Política ou religiosamente, todos os meios são usados para a ascensão e a bajulação.

Eh o que Machado expressa na busca de ser um Medalhão, ou seja, alguém que conseguiu conquistar riqueza e prestigio. Inclusive, na história, o pai do jovem Janjão ensina o seu filho a pautar a própria vida nessa busca superficial.

O personagem ilustra que, no Brasil, sabedoria é confundida com esperteza, e gentileza com cinismo. Ou seja, você não eh sábio por conhecer a metafisica do Ser, os princípios da logica, as dimensões psicológicas do homem, mas ao desenvolver astucia suficiente para conquistar espaços públicos notáveis. Também não é gentil por se expressar verdadeiramente e acolher as almas humanas, mas ao ser capaz de bajular o outro e nunca dizer verdades inconvenientes.

Na história, o pai de Janjão ascendeu assim, pela enganação e pilantragem, e incentivou a nova geração a fazer o mesmo. Com isso, Machado esta mostrando que este eh um desvio moral passado de pai para filho, ou seja, não é um vicio particular, mas a regra das relações brasileiras.

Tanjão eh aconselhado, por exemplo, a não desenvolver idéias próprias, e a dominar a retorica para conquistar fascínio alheio. O conhecimento eh apresentado como forma de parecer inteligente falando o que todos querem ouvir. O saber em si não gera esse fascínio. Afinal, de que adianta ser inteligente se ninguém gostar de estar perto das suas verdades inconvenientes?

Dai vem a aversão brasileira a solidão e meditação. As pessoas não desenvolvem a introspecção porque não querem se distanciar de paradigmas sociais. Até porque ser um medalhão é compartilhar o melhor da expectativa alheia ao romper com a própria consciência.

Muitos brasileiros, por isso, não estão sendo eles mesmos nas mais diversas áreas da vida: emocional, intelectual e profissional. Escolhem a profissão que lhes de o credito, procuram ter os mesmos sentimentos e as mesmas opiniões da massa, para que sejam aceitos. Mas isso é só ilusão: não vale parecer, é preciso ser.

Esse texto foi redigido e publicado pela Profa. Natalia Sulman em seu Instagram @nataliasulman. A publicacao desse texto foi autorizada pela mesma e todos os direitos pertencem a ela. Eventuais erros de portugues ou digitacao sao responsabilidade nossa (texto digitado em computador sem teclado ou sistema adaptado ao portugues). A autora que aqui empresta seu texto nao necessiamente concorda com o restante do conteudo ou blogs desse site. Ultima nota: sigam a Profa. Natalia no Instagram. Novamente: @nataliasulman

Estamos ficando mais burros (chocado!)

por Getulio Valls

O QI médio da população mundial, que sempre aumentou desde o pós-guerra até o final dos anos 90, diminuiu nos últimos vinte anos …

É a inversão do efeito Flynn. Parece que o nível de inteligência medido pelos testes diminui nos países mais desenvolvidos. Pode haver muitas causas para esse fenômeno. Um deles pode ser o empobrecimento da linguagem. Na verdade, vários estudos mostram a diminuição do conhecimento lexical e o empobrecimento da linguagem: não é apenas a redução do vocabulário utilizado, mas também as sutilezas linguísticas que permitem elaborar e formular pensamentos complexos.

O desaparecimento gradual dos tempos (subjuntivo, imperfeito, formas compostas do futuro, particípio passado) dá origem a um pensamento quase sempre no presente, limitado ao momento: incapaz de projeções no tempo.

A simplificação dos tutoriais, o desaparecimento das letras maiúsculas e da pontuação são exemplos de “golpes mortais” na precisão e variedade de expressão. Apenas um exemplo: eliminar a palavra “signorina” (agora obsoleta) não significa apenas abrir mão da estética de uma palavra, mas também promover involuntariamente a ideia de que entre uma menina e uma mulher não existem fases intermediárias.

Menos palavras e menos verbos conjugados significam menos capacidade de expressar emoções e menos capacidade de processar um pensamento.Estudos têm mostrado que parte da violência nas esferas pública e privada decorre diretamente da incapacidade de descrever as emoções em palavras.

Sem palavras para construir um argumento, o pensamento complexo torna-se impossível. Quanto mais pobre a linguagem, mais o pensamento desaparece.

A história está cheia de exemplos e muitos livros (Georges Orwell – “1984”; Ray Bradbury – “Fahrenheit 451”) contam como todos os regimes totalitários sempre atrapalharam o pensamento, reduzindo o número e o significado das palavras. Se não houver pensamentos, não há pensamentos críticos. E não há pensamento sem palavras.

Como construir um pensamento hipotético-dedutivo sem o condicional? Como pensar o futuro sem uma conjugação com o futuro? Como é possível captar uma temporalidade, uma sucessão de elementos no tempo, passado ou futuro, e sua duração relativa, sem uma linguagem que distinga entre o que poderia ter sido, o que foi, o que é, o que poderia ser, e o que será depois do que pode ter acontecido, realmente aconteceu?

Caros pais e professores: Façamos com que nossos filhos, nossos alunos falem, leiam e escrevam.

Precisamos ensinar e praticar o idioma em suas mais diversas formas. Mesmo que pareça complicado.

Principalmente se for complicado. Porque nesse esforço existe liberdade.

Aqueles que afirmam a necessidade de simplificar a grafia, descartar a linguagem de seus “defeitos”, abolir gêneros, tempos, nuances, tudo que cria complexidade, são os verdadeiros arquitetos do empobrecimento da mente humana.

Não há liberdade sem necessidade. Não há beleza sem o pensamento da beleza. 

Texto atribuido a um tal de Getulio Valls que circulou na internet no final de 2020.

Caiu o muro?

Exato 30 anos atrás caía o Muro de Berlim. Pesquisem. Um muro construído pela então Alemanha Oriental (do Leste, do lado da tua mão direita) para impedir o avanço do lado fascista que poderia atrapalhar os planos democráticos da grande Alemanha do Leste. E assim se construiu uma barreira protegida militarmente para que as pessoas presas no regime socialista não pudessem fugir para o lado Ocidental (Oeste). Pesquisa agora para saber quem queria fugir para o outro lado? Qual era a nação livre e qual era a nação cerceada? Aonde as pessoas tinham uma boa vida e aonde estava a miséria? Para que lado foram as pessoas quando essa barreira caiu? É assustador perceber que depois de tanto tempo e com tantos exemplos que já existiram (e muitos que se comprovam escancaradamente até hoje), ainda exista uma parcela absurda de humanos caindo na lorota coletivista. Fica complicadíssimo com esse atraso intelectual, com essa preguiça de pensar e criar conexões lógicas. O mais duro ainda é saber que jamais houve uma era com tanta possibilidade ao acesso de informação e tantas maneiras de se conectar um aos outros.

Post digitado no Exterior em computador sem teclado ou sem sistema em portugues. Peco desculpas por possiveis erros de digitacao.